ST9: “Justiça social e Direitos Humanos: Agendas esquecidas ou sobrepostas em contexto global?”
As últimas décadas foram de intensos debates e agendas específicas em prol do desenvolvimento e justiça sociais. Discursos internacionais, ratificação por parte de inúmeros países - em conferências, planos e convenções -, avanços em termos de ciência e tecnologia configuraram uma matemática positiva pró-ativa. A difusão e a promoção de/para os Direitos Humanos impuseram uma linha tênue sobre a ética, a crise e a determinação de um presente com olhos no futuro em constante embate com o passado. Isso se observa nas questões de sustentabilidade, de educação global e cosmopolita, da ideia de justiça (Sen, 2011).
No entanto, os “ranços” e as “crises” não deixam calar o ainda contínuo questionar e o processo mais intenso que se matiza desde a Revolução Industrial: desenvolvimento social ou crescimento econômico? Não necessariamente nessa ordem e com equidade em ambas as fases e etapas. E a abordagem sobre capital humano e pobreza, bem como promoção de direitos humanos, não parecem sempre um uníssono recapturar de um pretérito ainda presente?
Em janeiro de 2016, consoante agenda já estabelecida, tivemos a realização do Fórum Econômico Mundial (Davos/Suíça) e o Fórum Social Mundial (Porto Alegre/Brasil), representando dois polos do mesmo campo histórico. Eventos tão distintos e com missões tão dispares. Já não atingimos o “ponto de mutação” (CAPRA, 1982), em rápida alusão à ideia de complexidade, interconexões e urgência de se pensar em abordagem sistêmica?
Tudo isso vem coadunar com uma “espécie” de uma consciência universal acerca das desigualdades e (in)sustentabilidades (consideradas aqui como uma das mais graves violações dos Direitos Humanos), da pobreza e de uma crise substancial sem precedentes – incluindo impactos ambientais e humanos – e com forte tendência para planos, ações e projetos em prol da “erradicação” em esfera de política global e local (embora, sobretudo, em nível retórico). Essa sessão tem como objetivo trazer panorama teórico e de estudos de casos que revelem descrição densa (Geertz, 1988) e abordagens t rans/interdisciplinares sobre o atual estágio de crise.